Da Mutuus ao Asaas: lições de um M&A que começou pelo fim

Da Mutuus ao Asaas: lições de um M&A que começou pelo fim | Questum

A Mutuus, insurtech especializada em seguros para PMEs, foi adquirida pelo Asaas no início de 2025. Mas o caminho até o deal levou mais de dois anos – e começou de um jeito pouco convencional: com uma proposta na mesa antes de qualquer preparação.

No Better Deals, Andress Barão, fundador da Mutuus, compartilhou os bastidores dessa jornada. O que segue são os principais aprendizados para founders que, eventualmente, vão passar por esse momento.


A primeira proposta veio cedo demais

Andress recebeu uma oferta de uma seguradora multinacional antes de ter processo estruturado, assessor ou clareza sobre o que cada sócio esperava. A proposta mudaria drasticamente o modelo de negócio e não deixava claro o que aconteceria no longo prazo.

Depois de meses tentando ajustar os termos, quem saiu da mesa foi o comprador.

O episódio deixou uma lição: receber proposta é validação, mas não significa que o deal faz sentido. E negociar sozinho, sem preparo, aumenta o risco de aceitar condições que não se sustentam.

 

O processo levou mais de um ano, e quase foi pausado

Com apoio da Questum, a Mutuus estruturou a tese, mapeou compradores e foi ao mercado de forma organizada. Foram dezenas de conversas, muitos "nãos" e um desgaste natural. Em determinado momento, os sócios consideraram pausar o processo e voltar o foco total para a operação.

O aprendizado aqui é que M&A é uma montanha-russa emocional. A incerteza prolongada cobra seu preço, e saber a hora de pausar também faz parte da estratégia.

 

O comprador certo já estava na lista desde o início

O Asaas sempre foi o nome que mais fazia sentido para Andress. A jornada empreendedora era parecida, o público-alvo era o mesmo (PMEs) e o foco em eficiência e experiência do cliente também.

Na primeira conversa, o timing não era o certo. Meses depois, o nome voltou à mesa – e dessa vez, avançou.

A lição: mapear com clareza quem são os compradores ideais desde o início ajuda a não perder tempo com teses que não fazem sentido.

 

Fit cultural foi critério inegociável

Andress não queria sair da operação. Queria continuar empreendendo pelos próximos 20 anos. Por isso, o fit cultural pesou mais do que qualquer outro fator.

Se o objetivo é permanecer após a venda, a forma como o comprador negocia revela mais do que o discurso. O processo de M&A funciona como um teste de compatibilidade.

 

Diligência organizada antes de ter comprador na mesa

Um diferencial da Mutuus: quando chegou na etapa de diligência, o material já estava organizado. Andress sabia o que viria e já havia tratado as zonas cinzentas.

Esse exercício antecipado muda a dinâmica da negociação. Quem se prepara antes negocia com mais segurança – e evita surpresas com proposta na mesa.

 

O maior aprendizado: organização precoce

Se pudesse voltar no tempo, Andress teria se preparado muito antes. Não porque queria vender – mas porque estar pronto faz diferença em qualquer cenário: captação, auditoria ou M&A.

Tudo que se faz como empreendedor deixa rastro. E em algum momento, essa história vai ser contada.

 

M&A como escolha de próximo capítulo

Para Andress, a transação nunca foi sobre encerrar um ciclo. Foi sobre acelerar. Crescer mais rápido, com um sócio tão empreendedor quanto ele, para ir mais longe.

Esse reframe importa: M&A não precisa ser sinônimo de saída. Pode ser o início de uma nova fase, com mais estrutura, mais capital e mais oportunidades para o time crescer junto.


 

🎙️ Ouça o episódio completo do Better Deals no Spotify ou assista no YouTube.

 

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