No quarto episódio do Better Deals, o podcast da Questum, a entrevista foi com Guilherme Tossulino, então Diretor de M&A na Softplan, empresa catarinense com mais de 30 anos de história que atua como uma plataforma MultiSaaS atendendo diferentes setores econômicos. Para entender o contexto mais amplo do mercado de M&A em tecnologia no Brasil, confira o podcast Better Deals.
Em seu histórico, a Softplan testou uma série de modelos de inovação e de crescimento até definir a estratégia inorgânica como sua prioridade organizacional. À época da entrevista, a empresa possuía um time especializado e dedicado às aquisições, o qual só em 2023 havia realizado três transações nas principais frentes de negócio da empresa. Neste post, entendemos a fundo a estratégia de M&A da Softplan e quais as variáveis que contribuem para uma empresa de tecnologia ser adquirida pela companhia.
Ao longo dos seus anos de existência, a Softplan passou por diferentes fases e estratégias. Por muitos anos, a estratégia de "vamos construir tudo dentro de casa" foi priorizada e possibilitou à empresa construir uma base sólida para comportar o crescimento. À medida que os anos passaram, houve um processo de construção de frentes de inovação utilizando-as para alavancar a transformação da empresa. Inicialmente, foram estruturadas três áreas de inovação, uma para cada unidade de negócio, buscando oportunidades de projetos a serem desenvolvidos internamente ou com alguém do mercado.
Foi neste momento que a Softplan realizou seus primeiros investimentos em empresas de tecnologia. Esse movimento permitiu que houvesse uma mudança na cultura da empresa e uma aproximação junto ao ecossistema de tecnologia. Com isto, foi efetuada a primeira aquisição da 1Doc e, a partir dessa experiência, iniciou-se a estruturação da área de M&A e centralização de todas as frentes de inovação sob o mesmo guarda-chuva. Desde então a Softplan efetuou 10 aquisições entre 2021 e 2023.
A Softplan, dentro do mundo de negócios SaaS (Software as a Service), traz o conceito de MultiSaaS. Essa abordagem representa a operação em múltiplos segmentos, onde negócios especializados em uma vertical específica podem se interconectar, criando um ecossistema com sinergias tanto horizontais quanto verticais.
As verticais de atuação da empresa são:
Quando se fala de empresas de tecnologia em estágio inicial, é natural que empreendedores tenham como foco principal o crescimento acelerado. Do ponto de vista de um investidor, porém, é relevante ter um nível mínimo de planejamento e governança para assegurar a perpetuidade do negócio. Tossulino menciona a importância de um planejamento de crescimento que não se limite à visão do fundador.
É relevante ter premissas claras que sustentem a estratégia de crescimento e possam ser facilmente entendidas pelo comprador e executadas por sua equipe. Na frente de governança, ter uma contabilidade organizada, um acordo de acionistas redigido e uma estrutura organizacional com áreas e lideranças definidas tornam a empresa mais preparada para um evento de liquidez, seja ele investimento ou aquisição.
Esse é, na prática, o trabalho que fazemos na Questum ao lado de fundadores: organizar contabilidade, acordo de sócios e estrutura de governança antes de qualquer aproximação com um comprador, para que a empresa chegue à mesa preparada. O ponto de partida costuma ser avaliar se a venda faz sentido para o negócio naquele momento: faz sentido vender minha empresa de tecnologia.
Desde que a Softplan iniciou a estratégia de crescimento inorgânico, a empresa passou de um faturamento anual de R$ 300 milhões para cerca de R$ 700 milhões em 2023. Dentro de um viés de crescimento, faz-se necessário trazer empresas maiores que possam "mexer o ponteiro" dos resultados da empresa.
Tossulino menciona que iniciaram a prospecção de empresas com porte acima de R$ 50 milhões de receita anual. Entretanto, dentro da estratégia de verticalização, a Softplan busca por negócios que tenham sinergia com as soluções existentes e possibilitem melhorar o ecossistema criado. Neste caso, não estão preocupados com o faturamento do negócio e sim com o problema resolvido e a capacidade de escala dentro da base dos clientes.
Com uma mentalidade de melhoria constante, Tossulino menciona que a cada transação são adicionadas novas práticas que possibilitam ter um deal bem-sucedido. Dentro da estratégia da Softplan, suas aquisições são prioritariamente majoritárias, o que permite que se consolide o resultado do negócio dentro do grupo e se tenha um nível de governança mais próximo.
O formato pode variar, tendo empresas com aquisições de 100% e outras com aquisição majoritária acima de 50% de participação, porém com um horizonte de saída definido com opção de compra do restante da participação pela Softplan. Já em relação ao pós-deal, o objetivo é construir uma estrutura simples e justa que forneça autonomia para os sócios e propicie um ambiente com alto nível de governança e engajamento daqueles que permanecem na empresa adquirida. Isto inclui alinhamentos das regras do jogo entre as partes: o que pode e o que não pode ser feito.
Estas regras são complementadas com uma estrutura de especialistas internos que possibilitam aplicar as melhores práticas de diferentes áreas e metodologias dentro das empresas adquiridas. Isto, em muitos casos, possibilita uma aceleração de crescimento e uma melhoria na governança. Além disso, é formado um Conselho Administrativo ou Consultivo (dependendo da circunstância) para contribuir com o futuro do negócio. Conforme Tossulino reforça, tudo é feito para criar um ambiente de construção e evolução dos negócios.
Tossulino finalizou o episódio com algumas recomendações para empreendedores que pretendem se preparar para um exit:
Sobre o último ponto, conhecer o comprador antes de sentar à mesa é parte central do preparo. Reunimos o panorama de quem são esses compradores e o que buscam no perfil dos compradores de empresas de tecnologia no Brasil.
Confira a entrevista completa: