Insights do Podcast Better Deals com Edson Rigonatti da Astella
Por Anderson Wustro - 04/07/2025
O episódio do podcast Better Deals, da Questum, recebeu um convidado de peso: Edson Rigonatti, sócio-fundador da Astella. Conduzido por Anderson Wustro, a conversa mergulhou na trajetória da Astella, sua tese de investimento, lições aprendidas e a dinâmica do mercado de Venture Capital no Brasil. Confira os principais insights:
A trajetória e o sucesso da Astella: uma prova de retorno no VC brasileiro
Edson Rigonatti, com uma rica trajetória que inclui experiência em varejo, MBA em Columbia e passagens por Lucent e mercado financeiro, co-fundou a Astella em 2008 com Laura Constantini.
Atualmente em seu quinto fundo, a Astella já:
- Captou R$1 bilhão
- Investiu em 57 empresas
- Devolveu mais de R$600 milhões aos cotistas
- Tem os Fundos 1, 2 e 3 classificados no top quartil global, provando que investir em empresas de tecnologia no Brasil pode gerar muito retorno
A tese de investimento da Astella: foco, follow-on e canais proprietários
A tese da Astella se mantém consistente desde 2010, focada em early stage (pre-seed, seed, Série A). Quatro elementos são cruciais:
1. Early Stage: chegar o mais cedo possível na jornada do empreendedor, às vezes no pre-seed (ainda em papel) ou em estágios mais maduros.
2. Follow-on: reservar metade do capital para follow-on, dobrando ou triplicando a aposta em empresas de sucesso.
3. Alocação por modelo de negócios: investem 50% em SaaS, 25% em marketplaces e 25% em consumo digital.
4. Canal de distribuição proprietário: este é o grande diferencial. A Astella busca empresas que constroem uma forma única de vender e escalar com máxima eficiência, como visto em casos de sucesso como Resultados Digitais, Omie, Clicksign, Cayena e Gabriel.
Estágios e valores de investimento:
- Pre-seed: para ideias ainda em papel, sem produto ou dinâmica de vendas. Investimento de US$500 mil a US$1 milhão.
- Seed: quando já há produto e vendas, com faturamento próximo de R$300 mil/mês (prova de product-market fit). Investimento de US$2 milhões a US$3 milhões.
- Série A: empresa mais madura, faturando mais de R$1,5 milhão/mês e crescendo 10-15% ao mês. Investimento de US$5 milhões a US$7 milhões.
A Astella busca empresas que demonstrem potencial para realizar o "triple triple double double double" — ou seja, triplicar, triplicar, dobrar, dobrar e dobrar ao longo de 5 anos — em ARR (Annual Recurring Revenue), a partir de US$1 milhão.
Os "Quatro Ps" da Astella: avaliando riscos e oportunidades
A Astella destila seu processo de avaliação em quatro pilares, que representam riscos e oportunidades na jornada empreendedora:
1. Pessoas: avaliam a experiência do time, co-fundadores, advisors e estrutura societária.
2. Produto: foco na inovação e na demanda do mercado para o produto.
3. Processo: capacidade de construir uma empresa funcional e crescer organizacionalmente (do "pai de família ao presidente").
4. Participação (Valuation vs Tamanho do Cheque): encontrar a dosagem ideal de capital alocado e o valuation justo. Como Rigonatti diz, "Muita água pode matar a plantinha, mas pouca água também pode matar a plantinha". A meta é um retorno de 64x o investimento para ser um "fund returner".
O papel do relacionamento na decisão de investimento
Um insight crucial é o tempo médio que a Astella leva para investir em alguém que conhece: 18 meses. Isso demonstra a importância do relacionamento e da confiança, especialmente para investimentos pre-seed, onde ainda não há produto ou vendas. Para estes, um relacionamento prévio é quase sempre um pré-requisito.
Já para empresas com rodadas mais maduras, o processo de avaliação pode ser mais rápido (2-3 semanas de imersão e 1 semana para o comitê de investimento). A Astella prefere conhecer os empreendedores cedo, acompanhá-los e construir um relacionamento para estarem "qualificados" quando o momento da captação chegar.
Valuation e saída: uma perspectiva de "value investor"
A Astella se posiciona como um "value investor", diferentemente dos "moment investors". Eles utilizam dados de mercado (Carta e PitchBook) para analisar quartis de fundos e empresas, buscando precificar as oportunidades com base nas medianas globais e brasileiras.
Preço de entrada importa: ao contrário do que dizem alguns investidores, o preço de entrada é crucial para a Astella, dada a realidade do mercado brasileiro.
Potencial de saída: a mediana do top quartil brasileiro para saídas é de US$160 milhões. Sabendo disso, a Astella busca negócios com potencial de alcançar e superar esse valor.
Dosagem de capital: a Astella busca alinhar a alocação de capital com as medianas de mercado para cada fase. Eles entendem que o custo de construir uma empresa no Brasil é similar ao dos EUA, mas o mercado brasileiro ainda é precificado como o segundo quartil americano devido a um histórico de crescimento menos consolidado.
Inteligência Artificial e o ecossistema brasileiro
Edson vê a IA como um ciclo, similar a outras grandes inovações (Windows, HTML, Nuvem, iOS). O ciclo padrão envolve euforia, gastos excessivos, decepção e, finalmente, produtividade. Como value investors, eles preferem esperar a fase de produtividade. A IA é vista como uma ótima ferramenta para eficiência de capital, o que a Astella valoriza.
Rigonatti destaca que o mercado brasileiro é "incrível de aplicação e transação", mas a infraestrutura e plataforma precisam estabilizar antes que as aplicações se desenvolvam plenamente no Brasil.
Conselho para empreendedores: confie no relacionamento
No quadro final do podcast, Edson Rigonatti compartilhou algumas reflexões pessoais e o conselho mais importante para empreendedores que buscam capital da Astella:
- Gadget/Software: Kindle.
- Livro que impactou: "A Jornada do Herói" de Joseph Campbell.
- Inspirações: suas avós, mulheres que "saíram do nada" e criaram famílias gigantescas.
- Melhor conselho recebido: "Tá com problema, vende que passa".
- Transação marcante: a falência da Lojas KD, por ser um grande aprendizado.
- Conselho final para empreendedores: confiar no relacionamento. Os melhores investimentos da Astella estão sempre ligados aos melhores relacionamentos.
A conversa com Edson Rigonatti reforça a visão de que o Venture Capital, especialmente no Brasil, é uma jornada complexa que exige não só análise de dados e mercado, mas também uma profunda compreensão dos ciclos, das pessoas e da construção de relacionamentos duradouros.
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