Em um ambiente onde os desafios da empresa mudam de proporção o tempo todo, e qualquer founder de startup sabe disso, a capacidade de olhar para o futuro e tomar decisões estratégicas tem um peso enorme. É justamente por isso que projeções financeiras bem feitas estão entre as habilidades mais importantes (e mais subvalorizadas) que um founder pode desenvolver. Não é raro ver C-levels revisando tudo o que planejaram a cada três meses, porque o projetado e o realizado não chegam nem perto. A ideia aqui é trazer uma visão sobre os impactos de uma projeção mal feita, os erros mais comuns e o que considero essencial para construir uma projeção sólida.
Os impactos são muitos, mas destaco alguns:
O primeiro passo é ter o financeiro organizado. Se não consigo enxergar meu presente e meu passado com clareza, não tenho base para pensar no futuro. Isso passa por uma DRE gerencial que converse com a contábil, margens corretas (custo no custo, despesa na despesa), número de clientes e o comportamento real da máquina comercial.
Em seguida, preciso entender minhas premissas. O que faz um cliente novo entrar? Como meu gasto em Ads se traduz em resultado? Com base em quê eu decido contratar mais uma pessoa? Como minha base de clientes se comporta? São as premissas que me permitem, olhando para o histórico, definir o que deve acontecer adiante. Vale lembrar: a empresa não vai fazer o que você quer, e sim o que ela tem capacidade de fazer.
Por fim, é preciso envolver as pessoas. Se vou tratar do orçamento da área comercial, preciso do líder junto, aprovando. Se vamos definir o crescimento do time de CS, o gestor precisa colocar a visão dele. Não adianta empilhar metas sem consultar ninguém e depois cobrar as pessoas por algo com que elas sequer concordaram.
Também vale falar sobre o horizonte de tempo. Projeto para um ano ou para cinco? Períodos diferentes têm propósitos diferentes. A projeção do próximo ano deve ser o retrato mais fiel possível do que acredito que vai acontecer, e serve para me guiar. Algo certamente vai fugir do plano, e aí eu ajusto quando for necessário. Já uma projeção de cinco anos é mais um exercício de futurologia: a chance de acertar é menor, porque muita coisa muda nesse intervalo.
Ainda assim, acredito que vale sempre ter uma projeção de cinco anos, justamente para medir o quão longe imaginamos chegar no médio prazo. Ela ajuda a responder perguntas importantes: se daqui a cinco anos eu ainda estiver faturando R$ 1 milhão por ano, faz sentido todo esse esforço por um negócio que não parece que vai crescer? Ou pode ser o contrário: se o que planejei se realizar, a empresa será bem maior do que eu imaginava. Esse olhar de longo prazo também pesa na captação (o investidor não quer ver só o próximo ano) e em M&A (o comprador usa sua projeção para definir metas de earn-out e até para avaliar a empresa). Só cuidado para não prometer a ninguém algo muito fora da realidade.