No décimo primeiro episódio do podcast Better Deals, tive o prazer de entrevistar Daniel Fecci, diretor financeiro (CFO) e Head de M&A da Sólides Tecnologia. Daniel é formado em Administração de Empresas pela Faculdade de Campinas (FACAMP), possui pós-graduação pela University of California San Diego (EUA) e MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Antes de trabalhar na Sólides, Daniel passou por grandes empresas como Jüsto, Sinqia e Netshoes. Para entender o contexto mais amplo do mercado de M&A em tecnologia no Brasil, confira o podcast Better Deals.
Sempre se identificou com o ambiente de tecnologia, área em que acumula mais de 12 anos de carreira.
A Sólides nasceu em 2009, em Belo Horizonte. Os fundadores, Mônica Hauck e Alessandro Garcia, tinham uma missão muito importante: democratizar a gestão comportamental para que as empresas pudessem ser mais efetivas na gestão de seus talentos. E fizeram isso através do Profiler, o primeiro mapeamento comportamental desenvolvido em território nacional. Com ele, puderam alcançar e desenvolver, até hoje, milhões de vidas. Com essa missão em andamento, abraçaram mais uma: tornar o RH mais estratégico por meio do uso de dados.
Para isso, criaram uma ferramenta completa de gestão de pessoas com People Analytics, impulsionando a capacidade produtiva de mais de 2 mil empresas e gerando competitividade e crescimento econômico para o país. O Brasil é líder mundial em rotatividade de colaboradores.
"53% é a média de rotatividade anual de uma empresa no país. Isso significa que a cada 100 pessoas que existem na empresa, 53 delas são trocadas todo ano. E isso gera um custo enorme para a empresa, porque a rescisão é um processo caro: tem todas as verbas rescisórias, o processo de recrutamento de um novo colaborador, tem todo o tempo de treinamento e aprendizado desse colaborador, então é uma dor muito grande, principalmente das PMEs (Pequenas e médias empresas). Então eles (Mônica e Ale) fizeram um sistema que auxiliasse na contratação da pessoa certa para a posição aberta na companhia. Eles criaram um produto de perfil comportamental, que traça o perfil do candidato e vê se dá match com a posição aberta na companhia. A gente tem uma pesquisa que revela que quem contrata usando essa plataforma de perfil comportamental reduz a rotatividade de 53% para 17%", comenta Daniel.
Em 2022, a Sólides recebeu o maior aporte já feito a uma empresa dedicada à automação de processos em Recursos Humanos da América Latina, R$ 530 milhões. Ainda em 2022 fez a primeira transação de M&A, quando entendeu que era hora de integrar soluções para o Departamento Pessoal à atuação. Adquiriu a empresa Tangerino, de controle digital de pontos e jornada de trabalho, que foi uma transação muito positiva de acordo com Daniel. Ele menciona que o founder da Tangerino sempre esteve muito alinhado com o propósito da Sólides e permanece na empresa como um braço direito do Ale e da Mônica. Recentemente, a Sólides concluiu a compra da Folha de Pagamento Digital da 2easy.
"Construir do zero uma solução de Folha de Pagamento no Brasil é complexo. Imagine que o Brasil tem 10 mil sindicatos e o sistema de folha tem que ter todas as informações e todas as alterações que os sindicatos fazem na folha. Toda a complexidade da parte fiscal, trabalhista e as especificidades de cada região, de cada estado. Então é um produto que não se desenvolve rápido, portanto, decidimos pelo M&A", menciona Daniel.
O principal foco da Sólides em relação ao crescimento inorgânico é o complemento de portfólio (que foram os casos da Tangerino e da Folha de Pagamento). A empresa reconhece que novas tecnologias surgirão e agregarão valor para seus clientes e tudo que adicionar valor para o RH faz parte da tese de M&A da Sólides.
Daniel acredita que uma vertical que deve ganhar força é a tese de saúde ocupacional. "A gente tem visto uma demanda crescente por produtos de saúde ocupacional, então era uma coisa que não estava na nossa tese inicial de investimento e agora passa a estar, porque é uma necessidade do nosso cliente e isso vai gerar valor ao nosso cliente. Então, a nossa tese de investimento, de complemento de portfólio, passa a englobar também um produto novo, de saúde ocupacional", diz. Complementa evidenciando que tudo que pode ser comprado pelo setor de Recursos Humanos deve englobar a tese de investimentos da Sólides.
Em relação à busca por oportunidades de investimento, a Sólides é proativa, procurando ativamente por alvos que se alinhem à sua tese de investimento, mas também recebe muitos contatos de terceiros. Um dos principais métodos para iniciar esses contatos é através de assessores, com quem a Sólides mantém um relacionamento próximo. Esses assessores conhecem bem a tese de investimento da Sólides e, quando encontram empreendedores ou empresas que se encaixam, entram em contato com a empresa. Devido ao tamanho reduzido da área de M&A da Sólides, que conta com 3 pessoas atualmente, a empresa nem sempre consegue chegar diretamente aos empreendedores, o que torna o uso de assessores ainda mais relevante.
Na avaliação de novos negócios, a Sólides considera duas características principais para decidir se uma oportunidade de negócio deve ser perseguida ou descartada:
Na avaliação de negócios, dois fatores centrais são a tecnologia e o fit cultural.
Daniel comenta que durante o processo de M&A, conhecido no mercado como "Misery and Agony", se houver muito atrito entre as partes, é provável que esses problemas se agravem após a conclusão do negócio. Durante esse período inicial, as perspectivas financeiras e futuras podem parecer otimistas, mas se já há dificuldades de comunicação e relacionamento, elas tendem a piorar. Isso ocorre porque, após o acordo, novas situações e desafios surgem naturalmente, como mudanças no mercado ou eventos imprevistos, como uma pandemia.
Portanto, a capacidade de se comunicar e colaborar efetivamente desde o início é determinante para o sucesso contínuo da integração e para a adaptação às mudanças inevitáveis.
Daniel Fecci finaliza compartilhando duas dicas para empreendedores de tecnologia: