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Demonstrações Financeiras: as perspectivas contábeis no ambiente empresarial

Escrito por Gabriel Campregher | Apr 9, 2024 3:00:00 AM

A contabilidade é frequentemente denominada como "a linguagem dos negócios" e, assim como qualquer idioma, está sujeita a regras e normas que buscam padronizá-la. É o que chamamos aqui de contabilidade regulatória. No entanto, a contabilidade pode sofrer adaptações informais que facilitam a comunicação em contextos específicos. É nesse paralelo que surge a contabilidade gerencial, ajustando-se para atender às necessidades de públicos distintos e tornando a informação mais assertiva para a tomada de decisões. Para entender como isso se conecta a processos de M&A, confira o guia completo sobre faz sentido vender minha empresa.

Contabilidade regulatória

A contabilidade regulatória, como a aplicada no Brasil sob a supervisão do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), tem como objetivo garantir a consistência e a transparência das informações financeiras, obedecendo diretrizes e normas padronizadas. Normas internacionais, como as IFRS (International Financial Reporting Standards), também desempenham um papel relevante ao promover a harmonização contábil em nível global, facilitando a comparabilidade entre empresas de diferentes países.

Esse tipo de contabilidade segue rigidamente um plano de contas padronizado, visando estruturar as demonstrações contábeis de forma precisa e uniforme. Os principais usuários dessas informações são acionistas, reguladores, credores e instituições públicas, que dependem da confiabilidade dos dados para tomar decisões financeiras e regulatórias. Por isso, a contabilidade regulatória prioriza a exatidão e a organização das informações, assegurando que todos os relatórios sejam claros, detalhados e baseados em fontes bem estruturadas.

Contabilidade gerencial

A contabilidade gerencial tem como principais usuários os membros internos de uma empresa, especialmente os tomadores de decisão dentro da estrutura organizacional. Essa abordagem confere uma flexibilidade característica, permitindo diversos ajustes com o objetivo de proporcionar uma visão mais clara e realista da eficiência operacional da empresa.

Um exemplo comum é a separação dos números entre diferentes verticais de negócios dentro da organização, de forma arbitrária, para determinar o desempenho individual de cada uma delas. Esses ajustes não seguem regras rígidas: enquanto a contabilidade regulatória se baseia na padronização, a contabilidade gerencial valoriza a personalização, adaptando os relatórios à realidade específica de cada empresa ou empreendedor.

Apesar dessa flexibilidade, que facilita a interpretação dos dados empresariais de acordo com necessidades internas, é importante seguir o princípio da parcimônia. Isso garante que as adaptações não se afastem demasiadamente dos princípios da contabilidade regulatória, mantendo uma base sólida e confiável para a análise das informações financeiras.

O que acontece na prática?

As diferenças entre as visões contábeis, regulatória e gerencial, podem ser exemplificadas ao olhar para indicadores financeiros como as margens. A margem bruta reflete a eficiência dos custos diretamente relacionados à operação, enquanto a margem operacional inclui as despesas de suporte, como vendas, despesas gerais e administrativas.

Na contabilidade gerencial, os administradores, que têm um conhecimento aprofundado da realidade da empresa, conseguem alocar de forma mais precisa os gastos entre custo e despesa. Por exemplo, um software utilizado tanto pela operação quanto pela equipe comercial pode ser dividido de forma mais adequada, permitindo que as margens financeiras representem de maneira mais fiel a realidade da empresa.

Outro exemplo comum na contabilidade gerencial é o EBITDA Ajustado, que inclui ajustes feitos para refletir de forma mais precisa o desempenho da empresa para a administração. Esses ajustes frequentemente removem eventos não recorrentes, oferecendo uma visão mais clara dos resultados a longo prazo. Isso permite que a gestão avalie a performance operacional da empresa sem a interferência de fatores pontuais, favorecendo uma tomada de decisão mais estratégica e realista.

Resumindo

A contabilidade regulatória e a contabilidade gerencial desempenham papéis distintos, mas complementares numa organização. Enquanto a regulatória se preocupa com a padronização e a transparência, sendo necessária para acionistas, reguladores e outros agentes externos, a gerencial é mais flexível, adaptando-se às necessidades internas da empresa para facilitar a tomada de decisões estratégicas.

Ambas são relevantes para o sucesso de uma organização: a primeira garante a conformidade e a comparabilidade; a segunda possibilita uma visão mais detalhada e personalizada do desempenho operacional. A combinação dessas duas abordagens oferece uma base sólida para uma gestão eficiente e sustentável, e é exatamente essa solidez que compradores e investidores buscam ao avaliar uma empresa de tecnologia em processos de due diligence.