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Por que empresas fazem M&A? Os 10 motivos que movem aquisições em tecnologia no Brasil

Escrito por Anderson Wustro | Dec 10, 2024 1:00:00 PM

O mercado que não para

Em 2025, o Brasil registrou mais de 549 transações de M&A e captação no setor de tecnologia — uma média de mais de 10 operações por semana. Só no segmento de M&A, foram dezenas de aquisições relevantes, com destaque para setores como Mercado Financeiro (104 transações), ERP/TI (54) e Saúde (43).

Mas por que tantas empresas compram outras? O que move um comprador a assinar um cheque de R$ 500 milhões, R$ 1 bilhão ou mais?

A maioria dos founders que assessoramos na Questum não tem clareza sobre qual é a tese do comprador. E isso é um problema — porque entender o motivo da aquisição é o que permite negociar o melhor preço, na melhor hora, com o comprador certo.

A seguir, explicamos os 10 principais motivos por trás de transações de M&A em tecnologia — e, para cada um deles, o que isso significa para o founder que está do outro lado da mesa.

Os 10 motivos por trás de M&As em tecnologia

1. Como M&A ajuda empresas a ampliar seu portfólio de produtos?

Empresas maduras enfrentam pressão constante para lançar novos produtos — mas construir do zero é lento e arriscado. Adquirir uma empresa já validada é mais rápido e previsível.

A TOTVS, maior empresa de ERP do Brasil, é o melhor exemplo: em 2025, acumulou R$ 3,15 bilhões em valuations de aquisições, comprando empresas em ERP, marketing e agronegócio — sempre para ampliar o portfólio sem precisar reinventar a roda.

2. Por que empresas fazem aquisições para entrar em novos mercados?

Entrar em um novo mercado por conta própria exige anos de construção: time local, relacionamentos, marca, distribuição. Adquirir uma empresa já estabelecida corta esse caminho.

No Brasil, vemos esse movimento com frequência em fintechs internacionais que entram via aquisição de players locais, e em empresas de software que compram concorrentes regionais para ganhar presença em estados onde ainda não atuam. Em 2025, 48 operações foram cross-border — sinal de interesse estrangeiro crescente no mercado brasileiro.

3. Como M&A permite acessar novos segmentos de clientes?

Às vezes o produto não muda — só a base de clientes precisa crescer. Adquirir uma empresa com acesso a um público diferente é muito mais eficiente do que tentar conquistar esse público do zero.

Um exemplo recorrente no Brasil: empresas de software enterprise que adquirem soluções focadas em PMEs para diversificar a base sem canibalizar o produto principal. A lógica inversa também ocorre — startups de PME adquiridas por grandes players que querem entrar no segmento menor.

4. Qual o papel da distribuição em aquisições estratégicas?

Em mercados digitais, quem tem distribuição tem poder. Plataformas com milhões de usuários ativos pagam prêmio para trazer soluções complementares para dentro do seu ecossistema — porque já têm o canal e só precisam do produto.

O iFood é o maior exemplo brasileiro: em 2025, realizou a maior aquisição do ano no setor, avaliada em R$ 2,2 bilhões, comprando uma empresa de Marketing e Vendas para potencializar sua plataforma de publicidade e CRM para restaurantes.

5. Por que tecnologia e propriedade intelectual são alvos de aquisição?

Em um mercado onde IA, segurança de dados e automação estão redefinindo setores inteiros, comprar tecnologia é muitas vezes mais rápido do que desenvolvê-la. Isso é especialmente verdadeiro quando o time que construiu essa tecnologia está junto na aquisição.

No Brasil, vemos fintechs e empresas de ERP adquirindo startups com competências em IA generativa, machine learning aplicado a crédito e automação de processos antes mesmo dessas startups atingirem escala.

6. Como uma aquisição pode fortalecer a marca de uma empresa?

Marca não é só estética — é reputação, confiança e posicionamento de mercado. Adquirir uma empresa com marca forte pode acelerar o reconhecimento em segmentos onde o comprador ainda é desconhecido.

Esse motivo é mais comum em B2C e em segmentos onde o nome da empresa importa tanto quanto o produto (saúde, educação, serviços financeiros para pessoa física). Em B2B, a lógica de marca existe, mas geralmente é secundária a outras teses.

7. O que são sinergias em M&A e como impactam o preço?

Sinergia é a soma que vale mais do que as partes. Quando uma aquisição permite ao comprador cortar custos operacionais, eliminar redundâncias ou aumentar receita cruzada, o negócio se paga mais rápido — e o comprador está disposto a pagar mais.

Exemplos concretos: dois times de vendas que passam a usar a mesma estrutura; infraestrutura de tecnologia compartilhada; clientes que compram produtos de ambas as empresas com desconto. A Selbetti, com 4 aquisições em 2025 focadas em Análise de Dados e Serviços, opera exatamente nessa lógica de roll-up com extração de sinergias operacionais.

8. Como a consolidação de mercado motiva aquisições?

Quando um setor começa a se consolidar, o timing importa. Empresas que esperam para agir acabam comprando mais caro — ou perdendo para um concorrente que se moveu antes. Esse fenômeno cria uma corrida por aquisições em setores que estão aquecendo.

Em 2025, os setores mais aquecidos em M&A no Brasil foram Mercado Financeiro, ERP/TI e Saúde — exatamente onde a consolidação está mais avançada. Bionexo, por exemplo, realizou 2 aquisições com valuation de R$ 1 bilhão no setor de healthtech.

9. O que é acqui-hire e por que está crescendo no Brasil?

Acqui-hire é quando o comprador está interessado principalmente no time — e o produto é um bônus. Em setores onde talento qualificado é escasso (IA, segurança, engenharia de software avançada), pagar R$ 20-50 milhões para adquirir um time de 10-20 engenheiros seniores pode ser mais eficiente do que recrutar individualmente.

Esse fenômeno está crescendo no Brasil, seguindo o padrão já estabelecido em Silicon Valley. Startups com times técnicos excepcionais — mesmo sem product-market fit consolidado — se tornam alvos atraentes para grandes empresas que precisam acelerar capacidades tecnológicas.

10. Como M&A acelera a transformação digital de grandes empresas?

Para empresas tradicionais, adquirir uma startup de tecnologia é a forma mais rápida de se transformar digitalmente — sem precisar mudar a cultura interna ou esperar anos para treinar o time.

House of Brains é um exemplo claro: com 4 aquisições em 2025 focadas em Consultoria e Análise de Dados, a empresa está construindo capacidade de transformação digital via M&A — comprando conhecimento especializado em vez de desenvolvê-lo.

 

M&A de tecnologia no Brasil em 2025: dados do mercado

Para contextualizar os motivos acima, aqui estão os principais números do mercado brasileiro de M&A em tecnologia em 2025, com base no monitoramento da Questum:

• Mercado Financeiro: 104 transações (38 M&As + 66 captações)

• Marketing e Vendas: 55 transações | maior deal: iFood (R$ 2,2B)

• ERP/TI: 54 transações | TOTVS acumulou R$ 3,15B em aquisições

• Saúde: 43 transações | Bionexo: R$ 1B em valuation acumulado

• Análise de Dados: 42 transações | House of Brains e Selbetti com 4 aquisições cada

• Volume total: R$ 27 bilhões em transações com valores divulgados

• Ticket médio: R$ 113 milhões por operação

• Múltiplo de receita médio: 2,7x (máx. 4,6x)

• Múltiplo de EBITDA médio: 8,8x (máx. 12,8x)

 

FAQ: perguntas frequentes sobre M&A em tecnologia

Quais são os principais motivos para uma empresa fazer uma aquisição?

Os 10 motivos mais comuns são: ampliar portfólio de produtos, entrar em novos mercados, acessar novos segmentos de clientes, ganhar distribuição, adquirir tecnologia, fortalecer marca, capturar sinergias operacionais, reagir à consolidação do setor, contratar talentos (acqui-hire) e acelerar transformação digital.

O que é sinergia em M&A?

Sinergia em M&A é quando a empresa combinada vale mais do que a soma das partes separadas. Isso pode ocorrer por redução de custos (como compartilhar infraestrutura ou equipes), aumento de receita (venda cruzada de produtos) ou ganhos de eficiência operacional. Sinergias bem documentadas pelo founder aumentam o valor percebido pelo comprador e podem elevar o preço do deal.

Como uma startup pode se preparar para ser adquirida?

Os passos fundamentais são: organizar o data room com documentação financeira e jurídica, construir um material de apresentação claro (CIM), entender qual é a tese do comprador mais provável, mapear sinergias potenciais, e iniciar conversas com um advisor experiente antes de receber o primeiro contato de um comprador. Founders que se preparam antes vendem por mais e com menos fricção.

Qual é o melhor momento para vender uma empresa de tecnologia?

O melhor momento é quando a empresa está crescendo — não quando atingiu o pico. Compradores pagam pelo potencial futuro, não apenas pelo histórico. Em setores em consolidação (como fintech e healthtech no Brasil em 2025), esperar pode significar vender mais barato quando os concorrentes já foram adquiridos.

Quanto vale uma startup de tecnologia em uma aquisição?

No Brasil, os dados de 2025 indicam múltiplo de receita médio de 2,7x (com máximo de 4,6x) e múltiplo de EBITDA médio de 8,8x (com máximo de 12,8x). O valuation real depende do setor, do perfil do comprador, das sinergias identificadas e do processo competitivo criado durante a negociação.

O que é acqui-hire?

Acqui-hire é um tipo de aquisição onde o comprador está principalmente interessado no time da empresa adquirida — e não apenas no produto ou receita. É comum em segmentos com escassez de talento técnico qualificado, como inteligência artificial, segurança cibernética e engenharia de software avançada.

O founder que entende o comprador negocia em posição de força

M&A não é sobre vender sua empresa — é sobre criar valor para o comprador certo. O founder que entende por que alguém quer comprar sua empresa está em posição completamente diferente de negociação do que aquele que apenas responde a um contato espontâneo.

Os dados de 2025 mostram um mercado ativo, com compradores estratégicos e financeiros movimentando R$ 27 bilhões. Em setores como Mercado Financeiro, ERP e Saúde, a consolidação já está acontecendo — e o timing é uma vantagem real.

Quer entender qual é a tese do comprador certo para a sua empresa?

Na Questum, ajudamos founders a identificar o momento ideal, mapear compradores estratégicos e negociar em posição de força — antes de receber a primeira proposta.

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